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Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva
Publicação Oficial da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista ISSN: 2179-8397
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Vol. 15 nº 3 - Setembro de 2007

Artigo de Revisão Páginas 285 a 292

Origem Anômala das Artérias Coronárias

Autores: Flavio Henrique Amaral Pires Veras1, Edgar Guimarães Victor1, Lurildo Cleano Ribeiro Saraiva1, Marly Maria Uellendahl Lopes1

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Descritores: Anomalias dos vasos coronários. Morte súbita. Diagnóstico por imagem. Técnicas de diagnóstico cardiovascular.

RESUMO:
A origem anômala das artérias coronárias é uma doença potencialmente letal, sobretudo em lactentes e atletas jovens. O entendimento da fisiopatologia da doença permitiu a diferenciação entre as diferentes apresentações clínicas. Apesar de ser causa de isquemia miocárdica, os exames indutores de isquemia podem ser normais. A cineangiocoronariografia foi durante muito tempo considerada o exame ideal para o diagnóstico da doença, mas os exames de imagem cardiovascular não-invasivos têm mostrado uma melhor definição da origem e do trajeto das artérias coronárias. O tratamento cirúrgico deve ser indicado em pacientes sintomáticos, principalmente em crianças com origem anômala da artéria coronária esquerda da artéria pulmonar. O manejo ideal para os pacientes assintomáticos permanece indefinido.

A anomalia congênita das artérias coronárias pode ser benigna ou potencialmente grave, causando isquemia miocárdica, infarto e morte súbita1. A incidência varia de 0,3% a 1,5% em estudos de necropsia ou por cineangiocoronariografia (CA)2-7. Angelini et al.8, em estudo que incluiu 1950 consecutivas CA para avaliação de doença arterial coronariana, encontraram incidência de 5,6%.

A origem e o trajeto proximal das artérias coronárias anômalas são os principais fatores preditivos de gravidade1.

Atualmente, constitui a segunda causa mais freqüente de morte súbita de origem cardiovascular em atletas competitivos9. Pode ser causa de insuficiência cardíaca e morte em lactentes10,11.

O diagnóstico dessa anomalia é difícil, pois o indivíduo pode ser assintomático até antes do evento letal1,12. Os exames complementares, sobretudo os de imagem cardiovascular, são ferramentas importantes para o diagnóstico.

Na origem anômala da artéria coronária esquerda da artéria pulmonar (OACEP), o tratamento cirúrgico tem excelentes resultados10,13. A terapêutica da origem anômala das artérias coronárias da aorta (OACEA) é objeto de constante discussão.


CLASSIFICAÇÃO E DEFINIÇÃO

A primeira classificação para anomalias das artérias coronárias foi proposta por Ogden14, em 1969. Esta classificação subdividia as anomalias coronarianas em maiores, menores e secundárias, com bases anatômicas, mas não propunha correlação clínica15.

Dodge-Khatami et al.15 subdividiram as anomalias coronarianas em sete categorias, de acordo com critérios de complexidade clínica. Estas seriam: artérias coronárias originando-se da artéria pulmonar, artérias coronárias com origem anômala na aorta, atresia congênita do tronco coronariano esquerdo, fístulas arteriovenosas coronarianas, artérias coronarianas formando pontes miocárdicas, aneurismas de artérias coronarianas e estenose coronariana.

Para Angelini et al.8, uma anomalia coronariana deve ser definida como qualquer padrão coronariano com uma característica (número de óstios, trajeto proximal, leito distal...) “raramente” encontrado na população geral. Sendo favorável às seguintes definições: normal, qualquer característica morfológica observada em mais de 1% de uma população não selecionada; variante da normalidade, uma característica morfológica relativamente incomum prevalente em mais de 1% da mesma população; e anomalia, uma característica morfológica vista em menos de 1% dessa população.

A anatomia coronariana normal, universalmente aceita, é assim definida16,17:

• o tronco coronariano origina-se do seio coronariano esquerdo e dividi-se na artéria descendente anterior e na artéria circunflexa;

• a artéria descendente anterior segue posteriormente ao tronco pulmonar no sulco interventricular anterior;

• a artéria circunflexa segue no sulco atrioventricular posterior;

• a artéria coronária direita origina-se do seio coronariano direito e segue pelo sulco atrioventricular anterior.

Qualquer alteração neste padrão deve ser considerada como uma anatomia coronariana anormal16,17. A artéria coronária circunflexa originando-se do seio coronariano direito ou da artéria coronária direita, com um trajeto retroaórtico, é a anomalia congênita da artéria coronária mais comum18,19.


FISIOPATOLOGIA

Anomalias coronarianas têm sido implicadas como causa de dor torácica, morte súbita, insuficiência cardíaca, síncope, dispnéia, fibrilação ventricular e infarto do miocárdio8.

Na OACEP, observa-se que durante a vida intrauterina não acontece nenhuma alteração funcional, entretanto, após o nascimento, na medida em que cai a resistência arteriolar e decresce a pressão da artéria pulmonar, diminui a saturação oxi-hemoglobínica do sangue venoso, fecham-se o canal arterial e o forame oval, diminuindo progressivamente a perfusão sangüínea do miocárdio irrigado pela artéria anômala, levando a alterações isquêmicas10.

A OACEP, geralmente, trata-se de um defeito isolado, mas pode associar-se, em 5% dos casos, a outros defeitos cardíacos, como comunicação interventricular, comunicação interatrial, coarctação da aorta, tetralogia de Fallot e outras anomalias13. Em portadores de tetralogia de Fallot, a incidência de anomalia coronariana pode variar de 3% a 36%20,21.

A atresia congênita do tronco coronariano esquerdo (TCE) é uma anomalia extremamente rara e geralmente de evolução benigna22. Em alguns casos, pode levar a isquemia miocárdica e morte súbita22. Os portadores desta anomalia sobrevivem graças ao desenvolvimento de circulação colateral para a artéria descendente anterior22. A circulação colateral pode ser formada por ramos da artéria do cone, também conhecida como Círculo de Vieussens; ou anastomoses entre os ramos ventriculares anteriores da artéria coronária direita e a artéria descendente anterior; ou anastomoses das ramificações terminais da artéria coronária direita com ramos terminais da artéria descendente anterior22,23.

A explicação para isquemia miocárdica na atresia do TCE, na ausência de aterosclerose ou vasoespasmo, não é clara e a justificativa mais lógica é o fato de que uma artéria coronariana única é incapaz de suprir, adequadamente, a demanda sangüínea miocárdica22.

A origem anômala da artéria coronária esquerda do seio coronariano direito pode relacionar-se a morte súbita em 59% dos casos, precedida por atividade física em 81% dos eventos8. Esta anomalia pode apresentar quatro trajetos: anteriormente a artéria pulmonar; posteriormente a aorta; intra-septal entre a aorta e a artéria pulmonar; e interarterial entre a aorta e a pulmonar (Figura 1)24. Todos os subtipos desta anomalia têm sido associados à morte súbita, mas a variação interarterial, que é o padrão mais comum, tem uma relação mais forte com seqüelas catastróficas1,8,24-26.


Figura 1 - Origem anômala da artéria coronária esquerda no seio de Valsalva direito. Cada painel tem uma representação de um corte craniocaudal, ao nível das válvulas semilunares, mostrando o trajeto da artéria coronária anômala. Os angiogramas em posição oblíqua anterior direita e as representações esquemáticas mostram exemplos dos quatro trajetos mais comuns de artéria coronária esquerda anômala originandose do seio de Valsalva: posterior (retroaórtico), interarterial, anterior e septal. CD: artéria coronária direita, DA: artéria descendente anterior; Cx: artéria circunflexa (adaptado de Popma et al.27).



Potenciais mecanismos têm sido levantados para explicar a presença de isquemia miocárdica e morte súbita em pacientes com OACEA: a formação de um ângulo agudo e contorcido na origem da coronária anômala da aorta; um estreitamento no orifício coronariano secundário à anatomia anômala; compressão da artéria coronária anômala durante o seu trajeto entre a aorta e o tronco pulmonar no exercício; e espasmo da artéria anômala, possivelmente como resultado de lesão endotelial8,27,28.

De acordo com as evidências atuais, os segmentos coronarianos com trajeto anômalo não são mais susceptíveis a doença obstrutiva aterosclerótica do que os segmentos normais num mesmo indivíduo8,9.


QUADRO CLÍNICO

A OACEP apresenta duas faixas de apresentação: uma forma infantil e uma forma adulta. A forma infantil é caracterizada pela pobreza de circulação colateral intercoronariana, podendo resultar em infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca ou morte súbita11.

Nesta forma de apresentação, a sintomatologia ocorre nos primeiros meses de vida, com o aparecimento de choro constante, palidez intensa, parada súbita da sucção, perda de peso e sinais de insuficiência cardíaca, como taquipnéia, taquicardia, cansaço às mamadas, sudorese, hepatomegalia e cianose periférica. Na ausculta, pode-se observar o ritmo de galope, abafamento de bulhas, principalmente da primeira e, ocasionalmente, o aparecimento de sopro sistólico na área mitral, devido à insuficiência mitral secundária ao aumento da área cardíaca, por sua dilatação ou por disfunção do músculo papilar10,11. Estima-se em 90% a mortalidade no primeiro ano de vida, mesmo com o tratamento clínico10,11.

A forma adulta ou madura pode ocorrer na criança e, necessariamente, no adulto em cerca de 10-15% dos casos. Caracteriza-se por uma riqueza de circulação colateral intercoronariana, de magnitude suficiente para permitir uma sobrevida até a vida adulta, relatando-se sobrevida até os 72 anos de idade11.

Algumas vezes não há manifestações clínicas apreciáveis e o diagnóstico de OACEP é suspeitado pela presença de sopros: contínuo, pela passagem de sangue através da fístula coronariopulmonar, ou sistólico, por disfunção da valva mitral10. Alguns pacientes evoluem para insuficiência cardíaca, outros poderão apresentar angina do peito10,11.

Na OACEA, alguns sintomas, como síncope, dor torácica e palpitação, podem estar presentes12,28. Mas a maioria dos portadores é assintomática e a única expressão desta anomalia coronariana em atletas jovens pode ser a morte súbita12,28. Os estudos sugerem que estas anomalias coronarianas podem ser letais apenas durante ou imediatamente após a realização de atividade física extenuante, tipicamente em indivíduos jovens8 (Tabela 1).




EXAMES COMPLEMENTARES

Eletrocardiograma (ECG) e teste ergométrico (TE)


Um estudo demonstrou que a presença de onda “Q” com profundidade maior que 3 mm, duração maior que 30 ms e um padrão “QR” em pelo menos uma das derivações DI, aVL, V5-V7, esteve presente em 100% dos eletrocardiogramas de pacientes com OACEP29. A ausência de onda “Q” na parede inferior também é um achado prevalente (82% dos casos)13,15,29.

Menos freqüente é o desvio do eixo para esquerda (64% dos casos)13. Alterações eletrocardiográficas atípicas podem mascarar a doença quando associadas a lesões com hipofluxo pulmonar importante13.

Na OACEA, o ECG e o TE são quase sempre normais8,9,12,28. Apesar da OACEA ser causa de isquemia miocárdica, esta é episódica, manifestando-se sob condições clínicas extenuantes8,9,12,28.

Radiografia de tórax

Em geral, mostra-se alterada nos casos associados à insuficiência cardíaca. Na OACEP, crianças de pouca idade podem apresentar aumento da área cardíaca10.

A circulação pulmonar é normal, entretanto, em presença de insuficiência cardíaca, quadro de congestão venosa pulmonar pode ser observado10.

Ecocardiograma

O ecocardiograma bidimensional com Doppler colorido é útil na avaliação morfofuncional do coração.

Para o diagnóstico de origem anômala das artérias coronárias, os estudos mostram uma sensibilidade variável, com melhores resultados em crianças11,13,15,26.

O ecocardiograma transesofágico (ETE) é um exame com sensibilidade muito maior para detecção de origem anômala de artérias coronárias1,26. O ETE, sobretudo com o uso de uma sonda multiplanar, é capaz de delinear com precisão o trajeto proximal e o padrão de fluxo nas artérias coronárias anômalas1,26.

Tomografia computadorizada de artérias coronárias (TCAC)

Os estudos mostram uma rápida evolução deste método não-invasivo, na avaliação das artérias coronárias.

Inicialmente, os estudos com a Electron Beam Computed Tomography (EBCT) demonstraram excelente acurácia na avaliação da origem e trajeto proximal das anomalias coronarianas19,25.

Com o advento da tomografia computadorizada com múltiplos detectores (16 e 64 aquisições), passouse a ter uma melhor avaliação dos segmentos médio e distal para detecção de doença arterial coronariana obstrutiva16. Utiliza radiação ionizante e faz-se necessário o uso de medicação para diminuir a freqüência cardíaca25. O método necessita da administração de contraste venoso, potencialmente alergênico e nefrotóxico.

Dados da literatura mostram ser um método seguro, eficaz e com excelente resolução espacial16,24,25,30. Os estudos comparativos com a angiografia coronariana têm mostrado eficácia superior, sugerindo que a tomografia computadorizada com múltiplos detectores seja o exame ideal para o diagnóstico de anomalias coronarianas16,19.

A Figura 2 ilustra uma TCAC onde se evidencia uma OACEA com um curso interarterial.


Figura 2 - Origem anômala da artéria coronária esquerda com curso interarterial visualizada por TCAC. A: corte axial para avaliação da origem das artérias coronárias. B: reconstrução tridimensional. As setas indicam o trajeto da artéria descendente anterior entre a aorta ascendente e o tronco da artéria pulmonar. A cabeça da seta indica a artéria coronária esquerda. Ao: aorta; AP: artéria pulmonar; AD: átrio direito; AE: átrio esquerdo(adaptado de Ropers et al.24).



Ressonância nuclear magnética (RNM) das artérias coronárias

A angiografia coronária por RNM é um exame não-invasivo, com elevada acurácia para identificação anatômica da origem e trajeto proximal das artérias coronárias17,31-34. A livre escolha do plano de imagem, com uma visão tridimensional, é importante vantagem sobre as limitadas possibilidades de angulação da angiografia coronariana convencional31. Utiliza contraste não-nefrotóxico e não usa radiação ionizante16.

Tem as desvantagens do longo tempo de duração do exame (45-50 min.), a necessidade de períodos de apnéia e a limitação na análise dos segmentos coronarianos distais16,31-34. Bunce et al.34 desenvolveram uma técnica para detecção de anomalias coronarianas onde não há necessidade de apnéia, com menor duração do exame (26 min., em média).

É um exame que possibilita avaliação cardíaca morfofuncional, sendo de grande utilidade na presença de cardiopatias congênitas, por permitir uma perfeita avaliação espacial entre as artérias coronárias, os grandes vasos e as demais estruturas cardíacas19,31-34.

A Figura 3 ilustra uma RNM diagnosticando uma atresia do TCE.


Figura 3 - Atresia do TCE em um paciente portador de valva aórtica bicúspide e ducto arterioso patente. A: cineangiocoronariografia mostrando que a artéria circunflexa(Cx) origina-se da artéria coronária direita(CD). A artéria descendente anterior(DA) enche-se retrogradamente e forma uma fístula com a artéria pulmonar(AP). B: no corte axial da RNM, observa-se uma falsa inserção da DA na AP. C: imagem axial da Cx originando-se da CD. Ao: aorta; AD: átrio direito; VE: ventrículo esquerdo(adaptado de Taylor et al.17)



Cineangiocoronariografia

É tradicionalmente considerado o exame ideal para o diagnóstico das anomalias coronarianas. É um exame invasivo, que utiliza contraste nefrotóxico e radiação ionizante.

A evolução da RNM e da TCAC, ambos com análise tridimensional, tem evidenciado falhas na CA para o diagnóstico de anomalias coronarianas19,31-33. A CA pode ser incapaz de diferenciar, no trajeto da coronária anômala, a anatomia interarterial, de alto risco, da anatomia septal, retroaórtica ou da parede anterior, assim como a identificação do seio coronariano e a morfologia do óstio coronariano na parede da aorta19,31-33.

A CA ainda é o melhor método para avaliação do leito distal coronariano e de lesões ateroscleróticas associadas19,35,36.


TRATAMENTO

Uma vez diagnosticada, a OACEP deve ser cirurgicamente corrigida logo em seguida ao diagnóstico, para prevenção de complicações e seqüelas próprias da história natural da doença10,11,13,37-40.

A técnica cirúrgica de eleição é o reimplante com translocação da artéria coronária esquerda do tronco pulmonar para a aorta, o que é possível na maioria dos casos11,13,37-40. Na impossibilidade de aplicação desta técnica, recomenda-se a “tunelização” ou Técnica de Takeuchi, que consiste na criação de um túnel dentro da artéria pulmonar, de forma a conectar a artéria coronária esquerda com a aorta11,13,37-40. Outras opções cirúrgicas são a simples ligadura da artéria coronária esquerda e o implante de enxertos arteriais e venosos11,37- 40. A mortalidade cirúrgica para todas as técnicas combinadas variava de 75 a 80%, na década de 8037.

Atualmente, ela situa-se entre 0 e 23%37.

A evolução clínica e a recuperação funcional do ventrículo esquerdo dependem do grau de disfunção ventricular pré-operatória. Na maioria dos casos, há uma normalização da função ventricular no pós-operatório11,13,37-40.

Os portadores de OACEA, em geral, são assintomáticos12.

Mesmo em atletas, apenas a minoria é sintomática12.

E, nos indivíduos sintomáticos, o ECG e os exames indutores de isquemia geralmente são normais8,12,28.

A presença de sintomas sugestivos da doença, sobretudo em atletas, deve ser investigada com exames de imagem. Na impossibilidade do ecocardiograma diagnosticar a origem anômala, deve-se realizar TCAC, RNM ou CA de artérias coronárias8,28.

Não há consenso na literatura para o manejo dos portadores de OACEA assintomáticos. Nos indivíduos sintomáticos, deve-se optar pelo tratamento cirúrgico12,28.

As opções cirúrgicas são o implante de enxerto arterial ou venoso, o reimplante da artéria coronária anômala no seio coronariano anatômico, plastia do segmento intramural da artéria coronária e translocação do tronco da artéria pulmonar12,28. Não há dados que definam a melhor técnica cirúrgica.


CONCLUSÃO

A origem anômala das artérias coronárias é uma doença rara, mas potencialmente letal se não diagnosticada e tratada precocemente. As crianças e os atletas jovens constituem um grupo de risco para as seqüelas catastróficas. Nestes pacientes, a terapêutica cirúrgica traz bons resultados, sendo o tratamento definitivo. A identificação da doença em pacientes assintomáticos permanece um desafio. E novos estudos são necessários para definição do tratamento ideal nestes pacientes.


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1 Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco,
Recife, PE.
Correspondência: Flavio Henrique A. P. Veras. Serviço de Cardiologia
do Hospital das Clínicas da UFPE. Av. Prof. Moraes Rego, SN -
Cidade Universitária - Recife, PE - CEP: 50670-240
Tel.: (81) 2126-3714 - E-mail: fhveras@bol.com.br
Recebido em: 6/5/2007 • Aceito em: 29/7/2007
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